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Foto: UICLAP
CLÁUDIO TERÇAS
( MARANHÃO )
Natural do Acre, Cláudio Terças, há muito se considera maranhense de São Luís, chegou aqui aos cinco anos de idade, e diz envaidecido, que aqui encontrou além de abrigo, encantamento e inspiração não só para conceber, mas também para compreender a sua gênese artística e literária. Foi dessa gestação criativa que, também, nasceu ‘Uma Cidade nas Nuvens’, livro em que exalta, com encantamento, a Ilha e a Cidade. “Mesmo quando não é citada literalmente, São Luís está presente na minha poesia, nos meus contos, e em tudo que eu concebo na minha arte, São Luís é a minha vivência. De Nauro Machado e Ferreira Gullar, tirei muita experiência, tanto na forma da construção poética, visão de mundo e da vivência com a realidade que me cerca. Não tenho como negar esse fato, a minha escrita já me denúncia. Da mesma forma acontece com os poetas contemporâneos meus, com quem convivo e de alguma maneira divido a minha arte e a minha experiência: “vejo navegantes viajando / com as estrelas / pelo puro prazer de navegar”. É uma via de mão dupla, dar e receber. Tudo se faz aprendizagem, tudo se faz transformação, e em Upaon-Açu, a ilha com seu tempo de vida indefinido, e São Luís, a cidade com seus 409 anos, o tempo se encontra e segue rumo a um futuro que construímos hoje e também um dia após o outro”, conta-nos o escritor Cláudio Terças.
O livro contém poesia e prosa, e é dividido em três partes, sendo, ‘mapas da ilha’ e a ‘cidade em sã descida’, poesia, e ‘uma cidade nas nuvens’, prosa, nas quais o autor reflete sobre a convivência que nem sempre é harmônica entre esses dois mundos que coabitam no tempo e na vida do lugar e das pessoas, “o passado e o presente se complementam mesmo com suas diferenças e comungam constantemente com a nossa existência, são as ruas, a arquitetura, o mar, os prédios, os artistas, enfim, nunca vamos desligar um do outro, e o meu livro revela bem a minha relação criativa com esse lugar”, explica.
Palavras e sentimentos são elementos essenciais da criação de Cláudio Terças, como ele bem revela no poema da página 33, ‘A ilha & eu’ quando diz: “eu sou a ilha”. Após o lançamento, o livro estará disponível para venda na livraria e sebo Poeme-se, onde acontece o lançamento, em outras da cidade e em diversas plataformas digitais.
CIRCUITO DE POESIA MARANHENSE. São Luis: Centro de Ensino Unificado do Maranhão, Faculdades Integradas do CRUMA, 1996 No. 10 968
CANTO DOS DEZ MIL BÊBADOS
enquanto me desmancho arrastando minhasas
o pobre corpo de lagarata deixa uma baba
canto
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
meu pobre corpo de lagarta deixa uma baba
olho para cima não me vejo
sou uma borboleta arrastando minhasas
a memória que te guarda
e me guarda
conserva sobretudo o que somos
mais ainda
o que não somos
você é meu clã
a velha tribo dos que sabem
sangra lento meu cachorro
meu cãozinho fogoso
meu auau débil e tão lúcido
te peço em nome de NADA
acorda e deixa o mundo pra lá ou pra cá
acorda de deixa o mundo
acorda e deixa
acorda
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Página publicada em abril de 2026
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